26 setembro 2009

NÃO SÓ ESTA NOITE...

Saí do banho...
Desembacei o espelho do banheiro...
E de repente ele me disse ainda suado...
FICA COMIGO ESTA NOITE... E, ENTÃO SEREMOS FELIZES...

23 setembro 2009

AOS POUCOS...

A casa velha de dois andares.
A garagem de cerâmica vermelha.
Grande aos olhos de uma pequena criança.
A cadeira de ferro. A vitrola. E um vinil.
Até hoje, uma música misteriosa me fazia lembrar uma parte boa da infância.
Mas não conseguia lembrar o nome. Nem tampouco quem cantava.
Só sabia que era uma das canções preferidas do meu avô.
Ao som da vitrola cresci vendo ele e a minha avó deslizarem pela garagem.
Era um tango.
Sofrido, mas delicado.
As reuniões em família quase sempre terminavam em discussão.
Na maioria das vezes.
Quando o pau começava a quebrar, minha mãe corria e desligava a vitrola. Salvava os velhos vinis da ira familiar.
Mas o clima melodramático continuava no ar.
Por vezes a minha avó simulava desmaios para acalmar os ânimos. Mas era tarde demais para retornar aos vinis.
Hoje acordei com uma saudade danada daqueles tempos.
E recebi um presente.
Lá do fundo veio um pequeno trecho da música que o meu avô adorava.
Aos poucos lembrei um pequeno trecho.
O suficiente para resgatá-la por inteiro.

VERMELHO 27 - NELSON GONÇALVES

09 setembro 2009

FERIADO CULTURAL...

Foi um feriado cultural.
Teatro, música e cinema.

Voltei a Nova York ouvindo o DVD ao vivo da Macy Gray. Fantástico. Uma das surpresas do feriado. Cerveja gelada, casa limpa, boa companhia, abajour vermelho bombando. E no vídeo MACY GRAY...
Vestindo um vermelho longo...
e tênis preto e branco. Demais.



Estive em Goiânia por alguns instantes dançando hits dos anos oitenta. Até as duas da manhã. Até a boate ficar lotada e a noite virar uma balada tradicional. Voltei pra casa como quem saía dos bailes do colégio. Com Depeche Mode, Pet Shop Boys... e Erasure... latejando nos ouvidos.



Como na maioria das experiências culturais, algumas bem que poderiam ter sido deixadas pra trás. Assistr OS NORMAIS 2 foi um erro. Mais do mesmo. E como disse o crítico da Folha, "senti saudades do seriado." Pausa para deliciar o melhor bolo de chocolate do mundo, na Oscar Freire. Almoço caseiro. Mais cerveja gelada. E filmes de locadora.

Mas a grande surpresa do feriado foi o musical AVENIDA Q, em cartaz em São Paulo. Uma delícia. De fazer rir e ficar maravilhado com o talento dessa turma.



Resumindo... Foi bom demais. Pena que acabou.

04 setembro 2009

TEMA DO FERIADO

Algo me diz que KUS será o tema do feriado que se aproxima. Descobri esta música por acaso. E adoro acasos. Baixei por engano no computador. Que engano mais gostoso. Vamos de KUS... É como ouvir as Spices de trás pra frente.




20 agosto 2009

I – N – T – E – I – R - O

Cheguei em casa ontem, tomado por tantos sentimentos ruins.
Uma multidão de pensamentos desagradáveis fazia uma festa escandalosa dentro de mim. Era pra ser uma noite amargamente desagradável. Tantas frustrações. Tantos desejos mal resolvidos e interrompidos no meio do caminho. Era uma noite pela metade... Uma noite de quase. Quase conseguir. Quase alcançar... Quase ser...
Estava caminhando para um daqueles dias tenebrosos.
Dentro de mim, tantas perguntas... Sem respostas possíveis...
Pelo menos, respondidas com clareza o suficiente para silenciar tantos barulhos...
E um grito abafado veio de dentro do armário.
Tive medo.
Alguém estava escondido dentro do meu armário. E gritava tanto.
Um grito agudo.
Desesperado.
Caminhei lentamente. Pé a pé... Coração a mil. Mãos geladas... Medo de descobrir o que se escondia na escuridão do meu armário.
Num gesto só...
Rápido...
Ligeiro...
A porta foi aberta...
Uma pequena mão surgiu no meio da escuridão.
Branquinha.
Gordinha.
Era uma criança. Aos gritos. Aos berros. Uma voz aguda... Gutural...
Aos poucos a tomei nos braços. Olhos grandes de medo. Sobrancelhas grossas. Corpo redondo. Os gritos – palavras diversas – chamaram a minha atenção.
Não eram de dor. Era uma criança como outra qualquer. Agitada. E que gritava para me manter olhando para ela o tempo todo.
A coloquei sentada no sofá. Dei a ela um copo de leite.
Era um menino.
Tão cheio de vida. Tão cheio de esperança. Tão cheio de futuro. Lábios grandes. Mãos agitadas. Olhos ávidos. Que vasculharam a minha casa em questão de segundos.
Tentei acalmá-lo.
Uma noite fria demais para uma criança. Ficamos parados nos olhando... durante um tempo...
Um longo tempo.
Olhos castanhos... claros. Sinais de futuros pêlos no rostinho redondo.
E o silêncio foi tomando conta do lugar...
Algo esbarra na mesa da sala. Uma mesa de canto, de vidro, ao lado do sofá cama. A vela sobre a mesa balança... Numa noite de tantas visitas, mais uma, não me assustaria.
Um jovem se escondia no canto da sala.
Ao lado do abajur sanfona...
Um jovem mudo...
Magro...
Muito magro.
Olhos fundos.
Silencioso. Escondido no canto da minha sala.
Agachado... Braços entrelaçados às pernas. Cabeça sobre os joelhos.
Toquei no seu cabelo grande e fino...
Com medo...
Levemente ele foi levantando a cabeça. Os mesmos olhos grandes assustados... Sobrancelhas grossas. Dono de um silêncio profundo.
Ele era mudo.
Estendi a mão para que saísse daquele canto frio. E descobri que o jovem que vivia no canto da minha sala não tinha mãos. Os braços simplesmente terminavam...
...e pronto.
Pescoço longo... Barba por fazer...
E mudo.
O ajudei a sair daquele canto.
Sentamos no sofá... ele me mostrou marcas no pescoço e no corpo... Uma espécie de coleira. Que durante anos passou agarrada ao pescoço fino. Costas marcadas pelas chicotadas. Corpo curvado. Olhos com medo de ver o que havia ao redor.
Ele esteve preso. Perdeu a fala.
Perdeu o brilho dos olhos.
E se escondeu pelos cantos.
Uma pele pálida. Ressecada. Maltratada.
E uma lágrima escorreu pelo rosto redondo... pelo meu rosto redondo e pelo rosto infantil...
Passamos boa parte da noite nos olhando. Nos reconhecendo.
Ontem fui tomado por sentimentos tão negativos.
E, quando cheguei em casa, recebi visitas tão ilustres. Desta vez podia acolher meus convidados. Os expulsei durante tanto tempo... E ontem, durante uma noite fria... pude recebê-los...
Mais uma vez a casa da luz vermelha cumpriu o seu papel...
Estava quente, limpa e organizada para receber personagens tão especiais.
Uma criança, um jovem e agora um homem...
Dividimos a mesma cama. Tantas vezes barulhenta e em vários momentos tão silenciosa. Infelizmente não posso fazer muito mais por eles. Mas acho que eles acabaram entendendo que ainda podem fazer muito por mim.
Foi uma noite tão silenciosa, na casa mais barulhenta que já conheci.
Foi uma noite tão serena, na casa mais conturbada que já habitei...
Foi uma noite inteira...

18 agosto 2009

UM BELO E ESTRANHO BOM DIA...

Acordei abraçado pela emoção.
Um abraço tão apertado que cheguei a estranhar a força que isso pode ter quando se enrosca à gente. A emoção me pegou logo de manhã.
Tinha cheiro de dormido...
Música de fundo e uma força que não te deixa sair da cama.
E quando somos entrelaçados pela emoção tudo pode acontecer.
Oscilar entre o bom e o ruim em questão de segundos.
Entre o feliz e o infeliz de um instante ao outro.
A união e a ruptura.
A emoção me pegou hoje de manhã e não me dei por rogado. Fui logo traçando a emoção... Cada centímetro. Estava com medo. Não é nada fácil lidar com a emoção. Ainda mais quando você amanhece tomado por ela. Enroscado a ela. Por alguns instantes estive tão longe dali...
E tão perto.
Abraçado a emoção fiz um passeio por alguns momentos. Alguns marcantes e outros não tão marcantes assim.
Barriga vazia, bexiga cheia...
Mas a emoção insistia em me manter na cama... É assim quando ela te agarra. A saída é se deixar envolver. É aproveitar até que o relógio desperte novamente:
“acorda, plegricinha!!!!! Acorda plegricinha!!!!”
Sol barrado na janela. Assim tenho a sensação de que mando no dia, no tempo. Que só invade o quarto quando eu autorizo. E só assim meu dia começa.
Um Cd inteiro. Eu e a emoção.
Atrelados...
Respiração amanhecida.
Cabelos arrepiados...
Pele amassada...
Marca de lençol pelo corpo.
Abraço de travesseiro.
Acordei abraçado pela emoção. E me permiti continuar assim até o fim da manhã. uma tentativa de desvendar seus pequenos segredos... A emoção tinha cara de mistério...
O sol que invadiu o quarto já se foi faz tempo. Mas ainda fecho os olhos e sinto o frescor dessa manhã.
Um pouco da emoção que ficou presa ao meu corpo...

04 agosto 2009

Meio Manga...

Meus pais voltaram pra Goiânia hoje. Como sempre, foram embora deixando um rastro difícil de apagar... minha casa está "um brinco" como diz a dona Dilza... O vazamento do banheiro foi corajosamente combatido pelo valente seu Osmar. "Agora não precisa ter medo de soltar a descarga, meu filho." Passamos uma noite juntos, na casa da luz vermelha. A Consolação nos brindou com uma noite bem barulhenta, mas eu estava protegido... Sentado no sofá entre meu pai e minha mãe... Pés estendidos no puf... creme amaciando um pouco a dureza da pele e da vida.
Novos quadros na parede...
Comida nova na geladeira...
E aquela velha sensação de que eles são a coisa mais importante e confortante que já experimentei...
Eles voltaram para casa hoje, e deixaram um rastro que, em força, só perde para a minha saudade...